O planeta Terra possui uma dinâmica própria que se expressa por ciclos de actividade com duração da ordem da centena de milhões de anos, os designados ciclos geológicos ou de Wilson. Cada um destes ciclos compreende duas fases: a fase de expansão e a fase de compressão. Durante a primeira, forcas extensivas levam a criação de novos oceanos, permitindo a sedimentação nas suas margens e no seu interior. Estas forcas acabam por provocar a ruptura da crusta continental permitindo a saída de lava do manto a qual alimenta as cristas medias oceânicas e forma a crusta oceânica. Durante a fase de compressão as forcas invertem as suas trajectórias levando a deformação das rochas ígneas e sedimentares anteriormente depositadas e, finalmente, ao fecho dos oceanos recém-formados cuja crusta e respectiva cobertura sedimentar vão colidir com as placas continentais adjacentes, acabando por desaparecer por debaixo delas e/ou ser carreados sobre elas. Deste confronto surgem, então, cadeias de montanhas injectadas por magmatismo diverso entretanto gerado por acção do afundamento da placa oceânica sob a margem continental adjacente. Estas cadeias, posteriormente arrasadas pela erosão, vão, por sua vez, proporcionar os sedimentos que enchem as novas bacias continentais e marinhas do próximo ciclo.
As forcas que engendram toda esta dinâmica tem sede no manto terrestre, espessa camada rochosa que se encontra entre o núcleo e a crusta do nosso planeta.
Contudo, se estes ciclos geológicos se tem sucedido desde há milhares de milhões de anos, será legitimo perguntar onde e que se localizaram os oceanos desaparecidos e as antigas cadeias de montanhas a eles associadas. A esta questão, aparentemente teórica e voltada apenas para o conhecimento da historia da Terra, e que encerra, de facto, a essência de grande parte do conhecimento geológico, seguem-se outras: onde existem vestígios desta actividade no nosso pais e, especialmente, na região do Vale do Côa?
A Geologia e a ciência que detêm o conhecimento e a metodologia necessários a analise e interpretação das rochas de forma a permitir o reconhecimento dos ambientes em que elas se originaram, a história da sua evolução subsequente e as potencialidades económicas envolvidas. E uma ciência fascinante que obriga a um grande conhecimento do terreno e a observação directa dos materiais rochosos aflorantes, ou indirecta, através de sondagens, quando a acção da erosão tudo transformou em solos espessos cobertos de vegetação.
Assim, se para os geólogos a boa ou ma exposição geológica do terreno pode condicionar os seus objectivos, para que um leigo obtenha a noção exacta da geologia de uma região torna-se necessário que esta possua muito boas condições de afloramento e estruturas sugestivas dos factos ocorridos.
A Região do Vale do Côa possui, desde logo, factores que a tornam um espaço privilegiado para a prática do turismo científico na área da Geologia:
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A natureza e altitude do relevo que e suave sem ser monótono;
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A natureza e tipo da exposição geológica que são bons, sem darem aspectos agrestes e descarnados ao ambiente;
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A ocupação humana, que e suficientemente esparsa para permitir o intimismo com a natureza e suficientemente densa para evitar o isolacionismo.
Da Geologia, de uma forma geral, diremos que o registo geológico da Região do Vale do Côa:
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Encerra os pólos extremos do principal ciclo geológico que afectou o nosso pais o ciclo varisco ou hercínico que, há mais de 270 milhões de anos, gerou uma extensa cadeia de montanhas cujas relíquias ainda se estendem da costa ocidental dos Estados Unidos da América. Europa Oriental;
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Possui sedimentação recente e sub-gerente de natureza continental, fortemente afectada pela tectónica;
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Contem pedreiras actuais e mineralizações que foram importantes para a economia do Pais num passado não longínquo.
A história geológica da região só pode ser estabelecida através do conhecimento da geologia regional. De uma forma simplificada pode contar-se, utilizando alguns blocos-diagrama que dão uma ideia aproximada dos estádios referentes ao início e fim do ciclo varisco e ao ciclo actual, correspondente. Sedimentação actual e sub-actual.